Cistite Intersticial o Síndrome da Bexiga Dolorosa

A cistite intersticial (CI), é uma dor crónica que afecta a bexiga. Hoje em dia, muitos especialistas chamam a esta condição a síndrome da bexiga dolorosa (SBD).

Sindrome da bexiga dolorosa

Quem desenvolve?

Mais de 1.3 milhões de americanos têm cistite intersticial, mas alguns estudos que podem existir mais alguns milhões com sintomas da doença. Cerca de 8 em 10 pessoas com cistite intersticial são mulheres, embora possam existir mais casos de cistite intersticial entre os homens do que os que são conhecidos.

Homens que têm de facto cistite intersticial podem estar a ser diagnosticados com outras doenças que apresentam sintomas semelhantes, como problemas ao nível da próstata. A maioria das pessoas diagnosticadas com síndrome da bexiga dolorosa encontram-se na meia-idade, mas ela pode existir igualmente em adolescentes e pessoas mais idosas.

Afecta a gravidez?

Os médicos não têm ainda muitas informações sobre a gravidez e a cistite intersticial. A cistite intersticial não parece afectar a fertilidade ou a saúde do feto. Algumas mulheres experienciam o alívio dos seus sintomas durante a gravidez. Noutros casos os sintomas pioram.

Se está a pensar engravidar, fale previamente com o seu médico sobre o síndrome da bexiga dolorosa e quaisquer medicamentos que possa estar a tomar para tratar o síndrome ou outras doenças. Alguns medicamentos e tratamentos não são seguros durante a gravidez.

Tabela de conteúdo

  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Diagnóstico
  4. Tratamento

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Sintomas da cistite intersticial

Alguns sintomas da cistite intersticial são:

  • Dor ou desconforto que parece estar relacionado com a bexiga, e que normalmente piora quando a bexiga está cheia.
  • Sensação de ter que urinar imediatamente (urgência), muitas vezes (frequência), ou ambas as situações. A maioria das pessoas urina entre 4 e 7 vezes por dia. Mas com a cistite intersticial a bexiga pode armazenar menos líquidos. As pessoas com uma forma aguda de cistite intersticial podem urinar até 30 vezes por dia.
  • Dor, pressão ou sensibilidade na área pélvica e/ou genital.
  • Dor durante o coito, ou dor durante a ejaculação nos homens.
  • Úlceras e/ou hemorragias na bexiga.

Os sintomas da cistite intersticial variam de pessoa para pessoa e podem também mudar ao longo do tempo. Os sintomas das mulheres normalmente pioram durante o período menstrual. Algumas pessoas com cistite intersticial sentem apenas algum desconforto. Outros apresentam sintomas e dores agudas.

A cistite intersticial pode afectar grandemente a qualidade de vida da pessoa. Os casos mais graves podem impedir as pessoas de irem para o trabalho ou para a escola, ou de manterem uma vida social activa. O problema pode afectar a vida sexual e os relacionamentos das pessoas. Viver com uma doença crónica pode aumentar o risco de depressão.

O consumo de alimentos e bebidas!

Os estudos realizados até à data não estabeleceram nenhuma ligação directa entre a dieta e a  síndrome da bexiga dolorosa. No entanto, algumas pessoas referem que os seus sintomas se manifestam ou pioram depois de consumirem determinados alimentos ou bebidas, entre eles:

  • Álcool
  • Tomates
  • Especiarias
  • Chocolate
  • Bebidas cafeinadas e cítricas
  • Alimentos ácidos
  • Adoçantes artificiais

Manter um diário da dieta pode ajudar a encontrar alguma ligação, se existir, entre determinados tipos de alimentos ou bebidas e a manifestação dos sintomas. Alternativamente, você pode evitar os alimentos ou as bebidas que considera terem algum impacto nos seus sintomas.

Passado algum tempo pode voltar a comer ou beber estes produtos para observar se de facto eles afectam os seus sintomas. Algumas pessoas que sofrem de  síndrome da bexiga dolorosa não detectam qualquer ligação entre os sintomas e a alimentação que fazem.

Se optar por evitar determinados alimentos ou bebidas certifique-se que as suas refeições continuam a ser equilibradas e saudáveis.

Cistite intersticial

Tenho síndrome da bexiga dolorosa. O que fazer?

Informe-se o mais que puder sobre a CI/SBD e planeie um papel activo no seu tratamento e nos cuidados que tem consigo próprio. Opte por um estilo de vida saudável para se sentir no seu melhor. Procure levar a sua vida com o máximo de normalidade possível.

Procure o apoio das pessoas que mais ama e em quem mais confia. Considere aderir a um grupo de apoio para pessoas com  síndrome da bexiga dolorosa, que o podem ajudar a lidar com os sintomas e com o estresse.

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Causas da cistite intersticial

Ninguém sabe o que provoca a cistite intersticial. Os seguintes factores podem assumir um papel relevante na cistite intersticial:

  • Um defeito na bexiga que permite a irritação da mesma por substâncias presentes na urina.
  • Um tipo específico de célula que liberta histamina (uma substância química libertada durante reacções alérgicas) e outras substâncias químicas, que podem provocar os sintomas da cistite intersticial.
  • Alguma substância presente na urina e que danifica a bexiga.
  • Alterações do foro nervoso, que podem provocar sensações na bexiga, fazendo com que as actividades normais da mesma (como o seu enchimento) se tornem dolorosas.
  • Ataque do sistema imunitário à bexiga.

É difícil saber se de facto alguns destes factores provocam a cistite intersticial  ou se fazem parte do processo que leva à cistite intersticial. Além disso, as causas por trás da cistite intersticial podem ser diferentes de pessoa para pessoa.

Alguns estudos a indivíduos com cistite intersticial sugerem que, por vezes, a doença se manifesta depois de algum dano ao nível da bexiga, como uma infecção. Os genes também podem ocupar um papel relevante em alguns tipos de síndrome da bexiga dolorosa.

Em alguns casos, afecta mães e filhas ou irmãs ao mesmo tempo. Não obstante, a cistite intersticial não é um problema de família.

Recentemente, alguns investigadores identificaram uma substância que quase só é encontrada na urina das pessoas que sofrem de cistite intersticial. Esta substância parece bloquear o crescimento normal das células que revestem a parede da bexiga.

Saber mais sobre esta substância pode ajudar os especialistas a compreender o que provoca a síndrome da bexiga dolorosa e a definir possíveis tratamentos.

Muitas mulheres com cistite intersticial têm outros problemas, como síndrome do colon irritável ou fibromialgia. Alergias também são comuns entre as pessoas que sofrem de cistite intersticial. Conhecer melhor estes problemas pode ajudar a compreender as causas por trás da cistite intersticial.

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Diagnóstico da cistite intersticial

Não há nenhum teste que identifique a cistite intersticial, o que dificulta o seu diagnóstico. O seu médico vai colocar-lhe várias questões sobre os sintomas. O seu médico vai inda procurar despistar outros problemas de saúde que possam estar na origem dos sintomas, como:

  • Infecções do trato urinário (ITU)
  • Cancro da bexiga
  • Endometriose
  • Doenças sexualmente transmissíveis (DST)
  • Pedras nos rins

Alguns testes são realizados para excluir estes e outros problemas de saúde que podem estar a provocar as dores na bexiga, entre eles:

Teste à urina

O seu médico vai introduzir um cateter, um tubo muito fino, para extrair urina. Ou vai-lhe ser pedida uma amostra de urina obtida através do “método limpo”. Segundo este método, você tem de lavar a sua área genital antes de recolher a amostra de urina directamente num recipiente esterilizado.  

A sua urina vai ser observada ao microscópio ou enviada para um laboratório de modo a identificar a possível presença de germes provocados por ITU ou DST.

Citoscopia com ou sem distensão da bexiga

O médico pode utilizar um tubo de citoscopia com uma pequena câmara para observar o interior da sua bexiga. Alguns testes mais detalhados podem incluir o alongamento da bexiga, ou distensão da bexiga, enchendo-a com um líquido. Este procedimento ajuda o médico a observar melhor o que se passa no interior da bexiga.

O médico pode procurar sinais de cancro, pedras na bexiga ou outros problemas. O teste pode revelar se a parede da bexiga está inchada, se aumentou de espessura ou se está rígida, e pode medir a quantidade de urina que a bexiga consegue armazenar. O procedimento pode ainda identificar hemorragias ou úlceras na bexiga. Este teste é normalmente executado como uma cirurgia externa.

Biópsia

Faz-se uma biópsia quando uma amostra de tecido é removida e analisada ao microscópio. Podem ser retiradas amostras da bexiga e da uretra durante a citoscopia. A biópsia ajuda o médico a despistar a possibilidade de cancro na bexiga.

Os investigadores estão a tentar desenvolver novos testes que ajudem a diagnosticar a cistite intersticial.

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Tratamentos para a cistite intersticial

Existem alguns tratamentos disponíveis que ajudam a aliviar os sintomas da síndrome da bexiga dolorosa. Os médicos normalmente optam por uma abordagem conservadora no início, passando depois a tratamentos diferentes se tal for necessário.

Embora não exista um único tratamento que funcione para todas as pessoas, com o passar do tempo são muitas as mulheres que conseguem encontrar um tratamento que as ajuda a sentir melhor.

Alguns tratamentos incluem:

Estratégias de auto-ajuda

Algumas pessoas com síndrome da bexiga dolorosa encontram alívio em métodos de auto-ajuda, como:

  • Novo treino da bexiga — Isto ajuda a bexiga a armazenar mais urina antes de sinalizar a necessidade de urinar.
  • Alterações na dieta
  • Vestir roupas mais largas
  • Deixar o tabaco
  • Reduzir o estresse — o estresse não provoca a  síndrome da bexiga dolorosa, mas pode motivar episódios.
  • Exercícios pélvicos — um médico ou um fisioterapeuta pode ensinar-lhe os exercícios.
  • Actividade física de baixo impacto, como alongamentos e caminhadas.

Medicamentos via oral

Existem vários tipos de medicamentos que podem ajudar a aliviar os sintomas da síndrome da bexiga dolorosa. Alguns analgésicos que não requerem receita médica, como a aspirina e o ibuprofeno, podem aliviar as dores mais fracas. Fale com o seu médico se sentir que precisa de tomar um analgésico mais forte.

O polisulfato sódico de pentosano (Elmiron), um medicamento que requer receita médica, pode ajudar a aliviar os sintomas em cerca de um terço dos pacientes. O Elmiron não foi ainda testado em mulheres grávidas, pelo que o seu uso não é recomendado durante a gravidez salvo em casos muito graves.

Os médicos ainda não sabem ao certo como ele funciona, mas é possível que o medicamento restaure a superfície interior da bexiga e proteja a parede da bexiga de substâncias irritantes. Podem decorrer cerca de 6 meses a tomar o medicamento até que o alívio seja notado.

Outros medicamentos orais para a síndrome da bexiga dolorosa incluem:

  • Amitriptilina, um antidepressivo que pode ajudar a aumentar a capacidade da bexiga e a bloquear a dor.
  • Anti-histamínicos

Distensão da bexiga

O médico aumenta lentamente a bexiga preenchendo-a com um líquido. Embora os médicos não saibam precisar a razão, este procedimento alivia a dor em alguns pacientes.

Instilação da bexiga (lavagem ou banho da bexiga)

A bexiga é preenchida com um líquido que é mantido durante períodos de tempo diferentes antes de ser esvaziada. Os tratamentos são realizados semana sim semana não, ou duas vezes em ciclos de 6 ou 8 semanas. Algumas pessoas conseguem fazer o tratamento em casa.

Estimulação dos nervos

São enviados pulsos eléctricos suaves para os nervos que controlam a bexiga. Os cientistas não sabem ao certo de que forma a estimulação dos nervos funciona, mas ajuda a aliviar a urgência e a frequência urinária em algumas pessoas.

Cirurgia

Se os outros tratamentos falharem e se a dor for incapacitante a cirurgia pode ser uma opção. A cirurgia pode ou não aliviar os sintomas.

Lembre-se, estes tratamentos não curam a síndrome da bexiga dolorosa. Mas podem ajudar a aliviar os sintomas da sua CI/SBD. Os investigadores continuam a estudar novas formas de tratamento para a síndrome da bexiga dolorosa. Fale com o seu médico e informe-se se a participação num teste clinico se adequa ao seu caso.

A cura!

Os médicos ainda não acharam uma cura para a cistite intersticial. Eles não conseguem prever o tipo de pessoa que vai responder melhor a determinada opção de tratamento.

Por vezes os sintomas podem desaparecer sem razão aparente, ou após uma alteração na dieta ou no tratamento.

Mesmo que os sintomas desapareçam eles podem voltar passados alguns dias, meses ou anos.

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Publicado em Saúde sexual